MP contesta argumento da Dolly para demitir funcionários

A Ragi Refrigrantes, fabricante da Dolly, anunciou nesta semana o fechamento da fábrica de Tatuí e a demissão de 700 funcionários – parte deles da unidade encerrada e outra da linha de produção de Diadema. O motivo utilizado para justificar as demissões foi o bloqueio de contas da empresa, o que impedia o pagamento dos colaboradores.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Laerte Codonho, dono da Dolly, afirmou que não consegue pagar funcionários nem impostos com a conta bloqueada. Disse também que não consegue vender para grandes redes varejistas, pois elas fazem o pagamento com depósito em conta.

Mas o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investiga a empresa por organização criminosa, fraude fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e corrupção, contesta essa versão. A Promotoria afirma que as medidas cautelares ajuizadas no âmbito do procedimento instaurado para a apuração dos crimes “não abrangem bloqueio das contas das pessoas jurídicas e físicas envolvidas na investigação”.

“Causa, portanto, estranheza, que Laerte Codonho, afastado da gestão da empresa, justifique a demissão de funcionários no bloqueio de contas das empresas do grupo, nas quais, vale repetir, não foram localizados valores significativos para a satisfação dos débitos bilionários existentes”, diz a Procuradoria.

Outro fato suspeito, de acordo com o MP-SP, é que o bloqueio momentâneo “de valores existentes nas contas constatou a presença de valores pouco significativos em face dos débitos nas contas das empresas do grupo, o que traz sérios questionamentos sobre a forma utilizada pelas empresas do grupo para o recebimento de valores decorrentes das vendas que realiza”.

Laerte Codonho chegou a ser preso em maio durante operação da polícia e Ministério Público contra sonegação fiscal. Na ocasião, ele culpou a Coca-Cola pela sua detenção num recado escrito em folha de sulfite.

Procurada, a Dolly informou que não poderia se manifestar sobre o assunto nesta quinta-feira.

Fonte: Veja