Com mais de 500 academias e no azul, Smarfit prepara IPO

A rede de academias SmartFit, do grupo Bio Ritmo, se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Com crescimento de 62% na receita no último trimestre, a abertura de capital deve acelerar ainda mais sua expansão.

A empresa enviou convocação para uma assembleia dos acionistas para apresentar a proposta, que deve acontecer no dia 10 de dezembro e envolve a oferta primária (ações novas, cujos recursos da venda vão para o caixa da companhia) e secundária (papéis detidos por atuais sócios).

Com academias grandes, equipamentos modernos, poucos professores e mensalidades atraentes, a partir de 79,90 reais, é a maior rede de academias da América Latina. A empresa não concedeu entrevista.

A SmartFit tem 558 unidades no Brasil, México, Colômbia, Chile e em outros países. Dessas, 115 são franquias. Em número de unidades, a rede cresceu 34,6% no último ano, com abertura mais acelerada fora do Brasil. Ela atingiu 1,97 milhão de clientes no terceiro trimestre, alta de 36,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A rede é a maior do grupo Bio Ritmo, que tem 34 unidades das marcas Bio Ritmo e O2, rede chilena adquirida em fevereiro deste ano. Além do presidente Edgard Corona, o fundo Pátria, com 47% de participação, e o fundo soberano de Cingapura (GIC) estão entre os acionistas.

Ir à bolsa é fundamental para manter o ritmo acelerado. Espaço para crescer não falta, já que o Brasil é o segundo maior mercado de academias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 32.000 academias.

A possível abertura de capital é uma novela antiga. Há cerca de um ano, a companhia entrou com um pedido na Comissão de Valores Mobiliários para poder negociar ações no Bovespa Mais – Nível 2. O objetivo era vender debêntures, título de dívida emitido pela empresa.

De lá para cá, a Smarfit comprou redes na América Latina que operavam sob a marca SmartFit, como a Inversiones O Dos, rede de academias chilena com 10 das 15 unidades operando sob a marca, e a a CSC, grupo que detém 50% das ações da Latamgym e da SDL, que operam 92 academias SmartFit no México. Comprou ainda uma participação na Latam Fit, que opera a marca na Colômbia. A operação mais recente foi em novembro, quando comprou uma participação na Smart Rio e passou a ser sua única controladora.

Em maio, a rede recebeu um investimento de 100 milhões de reais da Novastar, afiliada do GIC Special Investments, que pertence ao GIC Private Limited, o fundo soberano de Cingapura.

As aquisições e os investimentos ajudaram a companhia a estourar. Em 2014, a receita era de 408 milhões de reais. Já em 2017, atingiu 746 milhões de reais. No terceiro trimestre deste ano, a receita líquida atingiu 302 milhões de reais, alta de 62%.

As aquisições recentes e investimentos não impedem a companhia de enfrentar obstáculos no caminho para o IPO. Não há outras redes de academia na bolsa de valores e ela precisará convencer acionistas de que o investimento vale a pena.

A concorrência também se coloca no caminho. Pequenas redes de bairro dominam o setor, com 32.000 academias e menos de 10 milhões de clientes, segundo a Associação Brasileira de Academias, e há concorrentes que se inspiram no seu modelo, como Best Fit, Marra Fit e Blue Fit. No mundo, há 200 mil academias e 174 milhões de clientes.

Uma das saídas é atacar novos nichos e mercado, concorrendo com academias focadas em crossfit, funcional e yoga — nichos que, nos Estados Unidos, respondem por mais de 20% do faturamento do setor. Também vem investindo em linhas próprias de isotônicos, suplementos e roupas de ginástica.

Expandir a linha de atuação, e continuar abrindo unidades, é fundamental para a empresa manter os resultados alcançados nos primeiros nove meses de 2018. Após um prejuízo de 11,6 milhões de reais em 2017, finalmente chegou ao azul: lucro de 140 milhões de reais. Se confirmado no fim do ano, será o primeiro lucro da história.Assim como nos programas de exercícios, os resultados da Smartfit estão sendo conquistados no longo prazo. E, assim como nos programas de exercícios, se a empresa tirar o pé do acelerador, pode por tudo a perder.

Fonte: Exame