Delegado afirma que golpistas passo-fundenses movimentaram mais de R$ 20 milhões

A comunidade continua surpresa com o tamanho da operação Polis, deflagrada Pela Polícia Civil na manhã do último sábado (16) em Passo Fundo. Trata-se da maior ação policial da história no município e com um objetivo principal: descapitalizar golpistas que aplicam o velho e surrado Conto do Bilhete Premiado.

Esse crime é antigo, surgiu na época da Loteria Esportiva, e de forma teatral envolve vários indivíduos visando o rápido lucro financeiro. Infelizmente, Passo Fundo é conhecida nacionalmente como o berço dos estelionatários. Eles atuam em muitos municípios do Rio Grande do Sul, além dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

As investigações iniciaram no mês de maio de 2015 e estão a cargo dos agentes da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas – DEFREC e policiais do Serviço de Inteligência Policial e Análise Criminal – SIPAC da 6ª Delegacia Regional da Polícia Civil, sob coordenação dos Delegados Adroaldo Schenkel e Diogo Ferreira.

No início das diligências, foi possível desvendar que vigaristas passo-fundenses usavam veículos emplacados em outros municípios para dificultar o reconhecimento das vítimas. Inclusive, foi descoberto que documentos falsos foram feitos e os carros estavam em nome até de Prefeituras.

São várias quadrilhas, que se dividem em células de cinco à dez indivíduos. Todas elas tem ligação, devido os golpistas se conhecerem. Não há líderes, mas a estrutura é muito organizada. Em algumas situações, os bandos possuem advogados que acompanham as viagens e atuam rapidamente quando ocorre algum imprevisto.

O Delegado Diogo Ferreira participou do programa Caso de Polícia na Rádio Uirapuru e afirmou que 140 pessoas estão sendo investigadas. Segundo ele, não foram solicitadas as prisões preventivas por um motivo: para inicialmente descapitalizar os bandos e ainda ter mais tempo para investigar. Também destacou que infelizmente muitas pessoas caem no golpe e não registram a ocorrência. De dez casos, apenas três comparecem na delegacia e mesmo assim não revelam os valores exatos que foram entregues para os estelionatários.

O inquérito policial trabalha com o montante de 2,5 milhões de reais, onde os acusados já foram identificados e as denúncias encaminhadas para o Poder Judiciário. Mas, os policiais afirmam que os valores ultrapassam 20 milhões de reais, nos últimos cinco anos.

Através dos 127 mandados de busca e apreensão, as diligências foram realizadas nos bairros Santa Marta, Menino Deus, Nenê Graeff, Pampa, Boqueirão, São Luiz Gonzaga, Santa Maria, Leonardo Ilha, São Cristóvão e Centro. Na maioria, mansões em condomínio de luxo, grandes residências e apartamentos. Muitos dos investigados se intitulam os “Reis do Camarote”, esbanjando ostentação, com correntes de ouro, carros esportivos, caminhonetes do ano, motos potentes, festas e etc.

Ao todo, foram apreendidos 75 carros e caminhonetes, 19 motocicletas, dois barcos, dois jet ski, um caminhão, muitas joias, 41 mil reais e 3 mil dólares. Quatro homens foram presos em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

A identificação dos envolvidos ainda não será divulgada devido os inquéritos estarem tramitando com segredo de justiça.

As investigações também estão focadas no crime de lavagem de dinheiro e organização criminosa, devido muitos golpistas possuírem estabelecimentos comerciais, tais como lojas de roupas, revendas de automóveis e casas noturnas.

Fonte: Rádio Uirapuru

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