RS registra nova morte por gripe, e meta de vacinação ainda não foi alcançada

A Secretaria Estadual da Saúde confirmou nesta quarta-feira (20) uma nova morte por Influenza no Rio Grande do Sul. Com isso, chega a quatro o número de óbitos causados por gripe neste ano no estado. Ao todo, foram registrados 80 casos da doença, segundo os dados divulgados.

A última vítima é uma mulher, de 87 anos, residente de Porto Alegre. Conforme a pasta, a idosa fazia parte do grupo de risco. Ela tinha doença renal crônica, mas não havia se vacinado.

Perto do fim da campanha de vacinação, que se encerra na sexta (22), a meta de vacinar 90% dos grupos prioritários ainda não foi alcançada. O balanço mais recente indica que foram aplicadas cerca de 2,99 milhões de doses, o que totaliza 81% do público-alvo.

O que mais preocupa, porém, é que crianças e gestantes estão com a menor cobertura, com 59,6% e 64,6%, respectivamente.

Entre as pessoas que integram o gripo de risco, o maior índice de vacinação é dos indígenas, com 95,1%, seguido pelos idosos (90,1%) e as puérperas, mulheres que deram à luz há pouco tempo (89,5%).

O Ministério da Saúde repassou ao Rio Grande do Sul 4.015.800 doses. Esse total representa a população estimada a ser vacinada – cerca de 3,65 milhões de pessoas -, e mais 10% como margem de segurança. Ou seja, não está faltando vacina.

Baixa cobertura

A taxa de adesão da população é a menor dos últimos seis anos e está abaixo da média nacional. Para o Ministério da Saúde, a baixa cobertura registrada até o período “acendeu um alerta”. A preocupação, segundo a pasta, é com a proximidade do inverno, que começa nesta quinta (21), período considerado de maior circulação do vírus da gripe.

“O risco maior é não fazer a vacina. Nós acostumamos a dizer que gripe é uma doença de pouca importância. Na verdade, a gripe tem complicações importantes e pode evoluir para infecções respiratórias, para internação hospitalar, inclusive a morte”, alerta o médico coordenador do Centro de Saúde Modelo, em Porto Alegre, Francisco Mazzuca.

A campanha já foi prorrogada por duas vezes. No último dia 11 de maio, novas faixas etárias foram incluídas na campanha. São crianças menores de 10 anos e adultos a partir dos 50.

Em Porto Alegre e em Canoas, duas cidades da Região Metropolitana que mais concentram casos de gripe, a vacinação foi liberada para toda a população. Ainda assim, a procura está abaixo do esperado. Nos municípios, o índice de imunizados é de 75,49% e 81,24%, respectivamente.

Até o término da campanha, o orientação é que os municípios disponibilizem as doses em todos as Unidades Básicas de Saúde. A vacinação prossegue até que se esgotem as doses.

As autoridades ressaltam que a vacina é segura, sendo produzida por vírus mortos e fragmentados, ou seja, não há o risco de causar gripe nas pessoas. Ela protege contra três tipos de gripe Influenza – A (H1N1), A (H3N2) e B. Mesmo quem tomou nos anos anteriores precisa renovar a dose.

Mortes por gripe no RS

Até o momento, os casos confirmados de influenza ocorreram em 27 municípios do estado. A Região Metropolitana é onde o índice é mais elevado. Canoas e Porto Alegre reúnem 43,7% das ocorrências de gripe.

As mortes ocorreram em Gramado, Lajeado e duas na capital gaúcha.

  • Mulher, 32 anos, residente de Lajeado, não vacinada
  • Mulher, 48 anos, residente de Porto Alegre, apresentava doença cardiovascular crônica e obesidade, não vacinada
  • Homem, 48 anos, residente de Gramado, situação vacinal em investigação
  • Mulher, 87 anos, residente de Porto Alegre, apresentava doença renal crônica, não vacinada

Chikungunya

Os casos confirmados de chikungunya aumentaram no estado. Agora, são 15. Somente na cidade de Santiago, na Região Central do estado, são 11 casos autóctones, ou seja, contraídos dentro do Rio Grande do Sul.

Outros quatro casos, importados, foram registrados em Gramado, na Serra, em Rio Grande, no Sul, e em Santo Ângelo, no Noroeste. O total de notificações é de 191.

Toxoplasmose

O número de casos confirmados de toxoplasmose segue o mesmo da última divulgação: 569. O total de notificações chega a 1.430, sendo que 1.103 são identificados como casos suspeitos. Seguem em investigação 312.

Dos casos confirmados, 50 são de gestantes. Outras 145 grávidas estão sob investigação. Foram registradas três mortes de fetos, com 26, 29 e 36 semanas de gestação, além de dois abortos com 15 e 16 semanas de gestação. Um aborto é investigado.

Conforme a Secretaria de Saúde, o surto da doença teve seu pico entre março e abril, sem novos casos confirmados com data de início de sintomas depois do dia 10 de maio.

“Não estamos mais na vigência do surto”, afirma o secretário estadual da Saúde, Francisco Paz.

Até o momento, já foram analisadas no laboratório de referência (na Universidade Estadual de Londrina) amostras de água da Estação de Tratamento da Corsan, de reservatórios de água nas residências de casos confirmados e no processo de um produtor de hortaliças. Todas elas deram resultado negativo quanto à presença do DNA de protozoário que causa a doença, o Toxoplasma gondii.

Ainda são examinadas no Paraná amostras de água de açude, de poço artesiano, vertente e lodo de reservatórios de água dos casos confirmados.

Sarampo

O estado tem seis casos confirmados de sarampo no ano. O primeiro é de uma criança de 1 ano de idade, residente em São Luiz Gonzaga, não vacinada e que realizou viagem com a família à Europa. Os outros cinco são residentes de Porto Alegre, com vínculo entre eles, incluindo uma estudante de 25 anos, com história de viagem a Manaus.

O último caso autóctone havia ocorrido no estado em 1999, com os últimos casos importados registrados em 2010 e 2011, com oito e sete, respectivamente.

Fonte: G1

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